Pipocando é a mais nova seção da plataforma Pipoco, onde destacamos conflitos urbanos atuais que estão acontecendo na cidade. Tais situações em curso convidam a sociedade para uma postura de enfrentamento coletivo das desigualdades e questões que impedem uma ampliação da esfera de direitos, da construção do comum e da democracia.  

Os três primeiros conflitos que abrem a seção Pipocando envolvem: a desativação do Trem do Subúrbio Ferroviário pelo Governo do Estado para a implantação de um Monotrilho; a implantação de um shopping center e de um estacionamento pela Prefeitura no bairro do Tororó; e as obras de macrodrenagem dos rios Jaguaribe e Mangabeira, também conduzidas pelo Estado e que afetam as comunidades do KM 17, Jardim Abaeté, Vila Romana e Bairro da Paz. Destacamos também as lutas, demandas e iniciativas coletivas dos moradores da cidade que tentam interromper os processos de remoções, impactos, violações de direitos e outras ameaças à vida.

Nessa primeira série de conflitos, chamamos atenção para diversas intervenções coordenadas de forma autoritária pelo Estado ou pela Prefeitura que ameaçam centenas de famílias de expulsão e de violação de direitos sociais e humanos fundamentais em meio a uma pandemia. Ao invés de poderes públicos promotores de direitos e de cidadania, temos ações dos governos que vulnerabilizam ainda mais a população em plena crise sócio-sanitária da pandemia do coronavírus. 

Um falso dilema entre Vida e Desenvolvimento aparece nessas intervenções. Os agentes estatais insistem em conduzir uma produção autoritária de infraestruturas, que em princípio são públicas, mas que estão cada vez mais submetidas a processos de privatização, de financeirização e de mercantilização dos bens comuns e da cidade, agravando as desigualdades urbanas. Essa visão retrógrada,  aborda as infraestruturas como fatos consumados e de domínio exclusivo de agentes estatais, técnicos e especialistas. No entanto, as infraestruturas não são formas passivas, nem projetos neutros, simplesmente administrados por políticos e técnicos. Elas integram processos complexos que afetam a vida cotidiana da cidade, são portanto questões que devem ser abertas à discussão pública e a democratização da cidade.

Tá sabendo o que está rolando em Salvador?

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