SOBRE

PIPOCO compartilha um conjunto de mapeamentos, informações e conhecimentos sobre conflitos que aconteceram de 2013 a 2020 em territórios de Salvador afetados - de fato ou potencialmente - por grandes intervenções urbanas de parcerias público privada (PPP): o Metrô Salvador - Lauro de Freitas; o projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), depois alterado para Monotrilho, proposto para a modernização do antigo Trem do Subúrbio Ferroviário; e a Operação Urbana Consorciada (OUC) do Centro Antigo. Os dois primeiros são intervenções coordenadas pelo Governo do Estado e a última pela Prefeitura, todas em associação com empresas concessionárias ou imobiliárias.

Os conflitos urbanos são aqui entendidos como divergências ligadas a diferentes dimensões da vida comum, envolvendo diferentes pessoas, grupos, associações, coletivos e movimentos urbanos, agentes públicos e privados, que mobilizam distintas lógicas, modos de vida e fazeres da cidade. Os conflitos dizem respeito a confrontações diretas, mas também a cooperações e solidariedades que reagem às desigualdades sociais.

A conflitividade é importante, pois conforma espaços de interação social nos quais uma diversidade de sujeitos e agentes se encontram, surgindo-se um campo de possibilidades, disputas e negociações das formas, conteúdos, sentidos e efeitos das transformações urbanas. O conflito pode então ser percebido, lido ou vivido como uma encruzilhada, pela qual pode-se tensionar relações de dominação e o fechamento da esfera estatal - frequentemente capturada por interesses e lógicas hegemônicas.

A atenção aos conflitos torna visível e amplia o reconhecimento de questões significativas da(o)s moradora(e)s, dos seus territórios e da cidade - geralmente reprimidas pelas agendas urbanas dominantes, reabrindo e repolitizando a discussão e a formulação de problemas públicos. Ou seja, a consideração dos conflitos pode ser uma oportunidade de ampliar o debate sobre demandas e questões relevantes da cidade, abrindo-se possibilidades para ações cuidadosas de defesa da vida e garantia dos direitos sociais que possam estar sendo violados. Além de questões diretamente relacionadas às intervenções em foco, os territórios impactados por elas apresentam conflitos outros, históricos ou atuais, que nos falam sobre as desigualdades das cidades brasileiras e seus enfrentamentos.

Miro Filho, TV Bahia. 2018.

Betto Júnior, Jornal Correio. 2018

Reiteradamente, a manutenção, expansão e infraestruturação da rede urbana brasileira acontece de modo seletivo e com baixos níveis de integração da maior parte da população negra, impedida total ou parcialmente de acessar oportunidades trazidas por esses processos de reestruturação das cidades

A urbanização brasileira é marcada pela precariedade, racismo e sexismo - dentre as várias injustiças e opressões que tem lugar nas cidades -, mas também por iniciativas cidadãs que confrontam essas situações. Nesse sentido, reconhecer as questões e demandas apontadas através dos conflitos, pode ajudar a tensionar esse estado de coisas, abrindo-se possibilidades para uma ampliação da esfera de direitos, de construção do comum e da democracia.

O direito à cidade, cunhado por Henri Lefebvre, é um tema prioritário da plataforma Pipoco, na medida em que sua noção original diz respeito ao direito da(o)s moradora(e)s de criação da cidade, além do seu acesso e uso. Entendemos que a esse sentido devem se articular práticas anti-racistas e anti-sexistas, a instituição de espaços públicos baseados no encontro e na desierarquização das relações sociais, a defesa da função social da propriedade, da justiça espacial, dos direitos à moradia digna, ao saneamento e ao transporte público.

Passa Palavra. 2018.

_ Pesquisa online para identificação de conflitos urbanos, através de consulta a jornais e diversas fontes de informação disponíveis na internet, usando-se palavras-chaves que remetem a conflitos (conflito, mobilização, protesto, manifestação, reivindicação, caminhada, desapropriação, remoção, reintegração de posse, fechamento de via, confronto, depredação, queima de ônibus e queima de pneus) associadas aos nomes dos territórios abordados (Centro, Subúrbio Ferroviário, Paralela e BR 324).

_ Identificação, sistematização e elaboração de informações e conhecimentos a partir das amostras de conflitos dos territórios trabalhados na pesquisa e que são afetados por intervenções de PPP (Metrô, Monotrilho e OUC Centro Antigo), relativas aos seguintes aspectos dos conflitos: ano e data; descrição; classificação por tipo; escala; localização da situação conflitiva e de sua manifestação pública; imagens, vídeos e informações complementares; sujeitos e agentes envolvida(o)s; projeto, intervenção, ação, evento e / ou regulamentação relacionados; demandas de agentes envolvida(o)s;

_ O período coberto pela pesquisa foi de 2013 até 2020.

_ Incorporação de informações sobre conflitos urbanos enviadas: por usuária(o)s da plataforma interativa Pipoco; parceira(o)s, moradora(e)s e membros de associações, coletivos e movimentos urbanos atuantes nos territórios;

2  Mapeamento dos Conflitos Urbanos

_Georreferenciamento dos conflitos urbanos pesquisados, permitindo a sua espacialização por meio de cartografias e mapas interativos.

3  Criação da plataforma PIPOCO

_ Criação de uma plataforma [web/mobile] multimídia e interativa sobre conflitos urbanos, a partir das informações e conhecimentos sistematizados e elaborados pela pesquisa;

 

_ Articulação multilinguagens [texto, imagem, audiovisual, gif, ilustrações, infográficos, mapas] e customização da plataforma, visando ampliar o acesso e uma melhor comunicação com o público usuário, através da confecção de um site atrativo com interface fácil e acessível para moderadores e usuários;

 

_ Conflitos contados a partir de narrativas lúdicas;

 

_ Plataforma colaborativa dentro das possibilidades do WIX.

EQUIPE PIPOCO
A Plataforma Pipoco é resultado do Projeto "Observatório de Conflitos Urbanos em Territórios Populares", coordenado pelo Grupo de Pesquisa Lugar Comum e que foi contemplado na Chamada Pública simplificada pelo Ministério Público do Estado da Bahia para seleção de pequenos projetos no ano 2019, através do Programa de Compensação Ambiental Urbana “Cidade Popular” da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo. Para a concepção e criação da Plataforma Pipoco, contamos com a colaboração do Coletivo Trama.
 
Equipe
 
Profa. Ana Fernandes (Coordenação Geral)
Grupo de pesquisa Lugar Comum / PPGAU/FAUFBA
Profa. Glória Cecília dos Santos Figueiredo (Coordenação Geral)
Grupo de pesquisa Lugar Comum / PPGAU/FAUFBA
Profa. Ângela Franco (Coordenação Geral)
Grupo de pesquisa Lugar Comum / FAUFBA / IHAC UFBA
 
Ana Clara Oliveira de Araújo
Arquiteta e Urbanista / Estudante de mestrado da FAUUSP
 
Ana Cláudia Fernandes
Estudante de Direito / FDUFBA
 
Aline Penha Nascimento
Estudante de Geografia / IGEO UFBA
 
Camila Brandão
Urbanista / Mestra e Doutoranda do PPGAU/FAUFBA
 
Felipe Andrade
Estudante de Agronomia / UFV
 
Mariana Marques dos Santos
Estudante de Arquitetura / FAUFBA
 
 
Projeto gráfico e
Desenvolvimento da plataforma
Matheus Tanajura
Arquiteto e Urbanista / Mestrando no PPGAU/FAUFBA / Coletivo Trama
 
Luisa Caria
Graduanda no BI de Artes / IHAC UFBA / Coletivo Trama
 
Flora Tavares
Graduanda no curso de Arquitetura e Urbanismo / FAUFBA / Coletivo Trama
 
 
Assessoria de Comunicação e Jornalismo
Maria Clara 
Jornalista
Carlos Baumgarten
Jornalista
METODOLOGIA
1 - Pesquisa sobre Conflitos Urbanos em Salvador
Realização |
Lugar Comum (PPGAU FAUFBa) 
Coletivo TRAMA
Apoio financeiro |
Ministério Público do Estado da Bahia
Programa de Compensação Ambiental Urbana Cidade Popular da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo

© 2020 TRAMA

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